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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Teresina: Acidente deixa cinco feridos e um morto

No início da tarde de hoje (21), um caminhão transportando seis pessoas capotou no bairro Bela Vista, zona sul de Teresina.



Segundo informações da polícia, uma falha no sistema de freios do caminhão teria provocado o acidente, deixando cinco pessoas feridas e uma morta.



Segundo testemunhas, algumas pessoas pularam do caminhão na hora do acidente, três mulheres e um senho tiveram ferimentos leves, um mulher sofreu fratura exposta e uma pessoa morreu.



O corpo encontra-se preso nas ferragens e a equipe dos Bombeiros está tentando retirá-lo.



FONTE: TIAGO LEMOS

Crime que chocou Teresina completa 1 ano


Matéria de : Rômulo Maia do Portal Acesse Piauí

21 de janeiro de 2008. Melissa Marques destranca a porta de madeira e entra na casa da prima Maria Alessandra. Era uma segunda-feira. Como de costume, ela chega cedinho para fazer companhia a pequena Alissandra, que ficava em casa enquanto a mãe e o padrasto saíam para trabalhar: Maria como gari e Luis Carlos dos Santos como moto-taxista.

Ao fechar a porta Melissa avista pegadas vermelhas no chão. Pegadas de sangue. Ela vasculha a casa e, em um dos quartos, encontra Alissandra Marques, sua prima de apenas 10 anos, embaixo da cama e enrolada em um lençol branco. Sob o corpo uma enorme poça de sangue. Melissa chama por ajuda. Em instantes vizinhos chegam ao local e constatam: Alissandra está morta.

Uma faca foi largada ao lado do corpo. No pescoço e nas costas de Alissandra, as marcas da violência. Um único golpe. Profundo. Preciso. A mesma lâmina utilizada tantas vezes no preparo dos alimentos da família transfixou a garganta da menina.

A polícia é acionada. Começa a busca por evidências que levem até o assassino. Em um dos banheiros, sobre a pia, os investigadores encontram uma calça e uma camisa sujas de sangue. As roupas pertencem a Luis Carlos, padrasto da menina.

Esses indícios, somados ao fato da arma usada no crime ser da própria residência e não haver sinais de arrombamento nas portas e janelas, levam a polícia a trabalhar com uma única hipótese: a enteada foi assassinada pelo padrasto.

Os parentes tentam localizar o moto-taxista por telefone. Não conseguem. Luis Carlos desaparece e não faz contato. Essas atitudes reafirmam as suspeitas da polícia e uma verdadeira cassada é montada para encontrá-lo.

O cerco dura pouco mais de 24 horas. Termina com Luis Carlos sendo preso em um bar na cidade maranhense de Timon e apresentado horas mais tarde à imprensa, com o rosto completamente desfigurado por hematomas e feridas. À polícia ele declara que “no dia do crime não estava em si” e que matou a menina para se vingar da mãe, a quem acusa de traição.




Violência Sexual

Além de assassinada, indícios apontavam que a criança era violentada sexualmente. O laudo cadavérico da vítima foi claro: “(...) hímen com ruptura antiga, sem sinais de rotura recente, com líquido de aspecto leitoso e viscoso escorrendo pela região vaginal (...)”.

Luis Carlos também é apontado como o violentador. Segundo o Ministério Público, o moto-taxista matou a menina para ocultar os crimes de estupro e atentado violento ao pudor.

Comoção e Protesto

O enterro de Alissandra Marques foi acompanhado por uma multidão. A morte da menina comoveu Teresina e suscitou debates sobre violência contra a mulher.

No dia 23 de janeiro (dois dias depois do crime), um grupo organizado de mulheres ocupou a Avenida Frei Serafim, centro da capital, e realizou um ato em protesto a onda de estupros e assassinatos que assombrou Teresina no início de 2008 e teve como ápice a morte de Alissandra.

Com cartazes, faixas e discursos, elas denunciaram que 15 mulheres foram assassinadas com requintes de crueldade nas primeiras semanas de 2008, apenas em Teresina.

O Processo

Neste 21 de janeiro de 2009 o assassinato da menina Alissandra Marques Resende completa um ano. Sobre uma mesa da 1ª Vara Criminal de Teresina, o Processo nº 707/08, que apura o crime, aguarda parecer do juiz Antônio Nolêto.

O magistrado solicitou há 14 dias o resultado do laudo de exame realizado no líquido viscoso encontrado no corpo da menina, nunca anexado ao calhamaço de 299 páginas. Foi estipulado um prazo de cinco dias úteis para a emissão do laudo, já descumpridos.

O documento é decisivo para comprovar se o resíduo era mesmo esperma e se pertencia ao réu Luis Carlos dos Santos Filho.

Em um ano, o processo teve o seguinte andamento:

04 de março – Ministério Público apresenta denúncia à Justiça;
14 de março – Interrogatório com o acusado;
24 de março – Apresentação da defesa prévia;
18 de abril – Testemunhas de acusação são ouvidas;
29 de maio – Testemunhas de defesa são ouvidas;
12 de novembro – Ministério Público apresenta alegações finais;
25 de novembro – Defensoria Pública apresenta alegações finais;
07 de janeiro de 2009 – Juiz Antônio Nolêto solicita laudo de exame realizado em líquido viscoso.

Ministério Público

Nas suas alegações finais, o promotor Ubiraci de Sousa Rocha mostra, baseado nas peças que compõe o processo, que Luis Carlos imobilizou e matou Alissandra Marques e afirma que “o crime foi praticado por motivo torpe e sem deixar qualquer margem de defesa à vítima”.

O promotor lembra que a calcinha que Alissandra vestia quando foi morta estava rasgada na altura da vagina e que a vítima apresentava lesões na parte interna das coxas. O que, para ele, são indícios claros de violência sexual.

Por fim, acusa o moto-taxista de ter matado a criança para ocultar os dois crimes antes cometidos: estupro e atentado violento ao pudor. E pede que Luis Carlos seja julgado por estupro e homicídio qualificado.

Defensoria Pública

Sem advogado constituído, Luis Carlos é defendido por membros da Defensoria Pública do Estado. O parecer final apresentado à 1º Vara Criminal é assinado pelo defensor Ezequiel Cassiano de Brito.

Na peça apresentada, Cassiano fala que “não há provas mínimas no processo que atestem o estupro”. E expõe, em contradição ao Ministério Público (MP), que o laudo cadavérico mostra que a criança não sofreu qualquer violência sexual no dia do crime; que não havia sinais de lesões recentes na vagina; e que o hímen possuía ruptura antiga.

Com esse entendimento, entende que o acusado deve ser impronunciado pelo crime de estupro e diz que a acusação feita pelo MP de atentado violento ao pudor foi tipificada “de forma leviana e irresponsável”.

Para Ezequiel Cassiano, Luis Carlos deve ser julgado apenas por homicídio simples e não por homicídio qualificado. Nas palavras do defensor público, o réu “não usou traição, emboscada ou dissimulação para praticar o crime e que ninguém presenciou o fato, portanto não se pode afirmar que o mesmo dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima”. E lembra que “não há provas que a vítima foi submetida a sofrimento desnecessário antes de morrer” e que Alissandra “não padeceu de suplício algum, uma vez que não sofreu de nada brutal”.

E conclui a peça solicitando a anulação do processo, afirmando que o acusado não foi devidamente citado; e que o réu seja impronunciado pelo crime de estupro.

O Juíz

O juiz Antônio Nolêto afirma que ainda espera o resultado do laudo do exame realizado no líquido viscoso encontrado no corpo de Alissandra para dar andamento ao processo.

O magistrado possui três opções para emitir sua decisão: mandar Luis Carlos para julgamento no Tribunal Popular do Júri; impronunciar o réu (ou seja, não mandá-lo ao banco dos réus); ou absolvê-lo das acusações. Ao Acessepiauí, ele declarou: “Falta esse laudo e ainda não sei que posicionamento tomar sobre o caso.”